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A inversão de valores: do off para o on

Em Março/2011, foi publicado no site da IAB Brasil um artigo do Lucas Nunes, com o título de  “Estamos Contratando!”, no qual falava que a publicidade digital sofre com a falta de profissionais especializados. Ainda falando sobre o preparo dos profissionais, em agosto de 2010 escrevi um post que falava sobre “A valorização técnica do profissional de Mídia”, onde falei sobre as iniciativas do Mercado para melhor capacitar os profissionais de mídia.

No entanto, a escassez de profissionais especializados, aumentou de maneira vertiginosa a quantidade de profissionais mal preparados, principalmente na área de mídia, que é uma área extremamente técnica.

Há alguns anos, falava-se sobre a resistência dos profissionais de off-line em aprender sobre internet, principalmente quando se tratava dos processos operacionais. Porém, tal resistência que era tão criticada, tem ocorrido no cenário dos profissionais digitais, também, mas de uma maneira reversa. Não é raro encontrar profissionais do digital que ficam inventando nomenclaturas para descrever dados e conceitos que já estão estabelecidos e afirmados no cenário de mídia. A supervalorização dos profissionais de digital fez com que os mesmos entendessem que o seu conhecimento é um diferencial e, portanto não precisariam se desenvolver em outras frentes.

É frustrante conversar com profissionais de online que não sabem avaliar uma proposta de mídia, comparando-a com outro meio, por não saber diferenciar tiragem, de circulação, de leitores. Isso sem falar nas pessoas que somam audiências, ignorando a sobreposição dos dados, ou até mesmo não conseguem fazer um cálculo básico de frequência média de um plano.

Começa-se a observar uma mudança de cenário, onde se privilegia a contratação de profissionais de off-line para cargos de on, visando não apenas trabalhar em um cenário integrado, mas sim trazer senioridade e fundamentação teórica.

Valorizo muito iniciativas como a do Grupo de Mídia, que desenvolveu a prova de certificação do Grupo de Mídia. A certificação nada mais é que uma prova, aprovada pela ABAP no IV Congresso Brasileiro de Propaganda em 2008, e é um processo em que qualquer profissional que atua na área de mídia em agência ou anunciante pode avaliar seus conhecimentos em mídia. Seria como um GAP, do Google, mas para os profissionais de mídia de maneira geral.

A prova já está em sua segunda edição e quem faz percebe sua real importância, desde o momento de preparação, sendo que na bibliografia básica está o livro do Jack Z. Sissors. A prova não tem separação de mídia on e off, mas tem uma divisão em 2 partes: Lógica e interpretação de dados com 15 questões e Mídia com 30 questões, sendo 15 sobre conceitos básicos e pesquisa de mídia e 15 sobre planejamento e negociação.

É uma pena que não saia uma lista com o nome das pessoas que se inscreveram e tampouco os resultados da prova, mas o simples fato de ter um auditório lotado e eu não encontrar nenhum “mídia online”, corrobora muito com a diferença de posturas que falei aqui, não?

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