A viagem de Luiza está longe de ser referência para publicitários
Concordo em gênero, número e grau com o Merigo quando ele diz que Luiza no Canadá foi um meme que morreu cedo demais. A repercussão que o meme teve na mídia e na blogosfera deveria ser um capítulo a parte do livro “The Cult of the Amateur“ do Andrew Keen e mostra como estamos perdendo alguns valores.
No entanto, não é o amadorismo do vídeo que faz com que ele não mereça um estudo de caso, mas sim o quão rápido o meme sumirá, sem ter construído nada para a marca da imobiliária e tampouco ajudado a vender mais apartamentos.
Chega a ser óbvio, mas Jeremy Rifkin já disse, no livro “A Era do Acesso”, que estamos vivendo em uma sociedade caracterizada por atualizações, inovações e customizações em um ritmo cada vez maior, na qual os ciclos de vida dos produtos são cada vez mais curtos, tornando os bens obsoletos cada vez mais rapidamente. Isso reforça a ideia da “A Economia da Atenção”, de Thomas Davenport e John Beck,na qual é dito que o rápido crescimento do volume de informação com que lidamos no dia a dia gera a escassez da nossa atenção. Com a mesma agilidade que “Luiza” veio, “Luiza” vai…
Assumo que sou uma pessoa cética quanto à possibilidade de se criar algo viral, sendo que o máximo que podemos garantir é que o conteúdo esteja no repertório dos receptores da mensagem, que seja um conteúdo que provoque uma reação nas pessoas (até mesmo asco é válido) e que essa mensagem esteja em um ambiente que propicie o compartilhamento. O vídeo da Luiza tem tudo isso, é fato, mas a reação que provocou nas pessoas não foi a que os publicitários que fizeram pretendiam!