De acordo com uma matéria da Agência Brasil, a proposta do governo federal de expandir o serviço de Internet banda larga a todos os municípios brasileiros até 2010 ainda é uma realidade distante. Isso porque, de acordo com Carlos Seabra, diretor de tecnologia e projetos do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos (Ipso), “Para se ter uma idéia, nós pagamos por uma mesma conexão cerca de 1300% mais caro do que paga alguém numa conexão na Europa, porque isso ainda não está difundido”.
Para este ano, a proposta do Ministério das Comunicações é levar a Internet banda larga a 20% dos municípios até junho, construindo uma rede pública de alta velocidade para atender escolas, hospitais, delegacias, postos de saúde e associações comunitárias.
Porém, “As condições no nosso país ainda estão muito longe do ideal, não só porque a maior parte dos municípios ainda não possui banda larga como porque o que é chamado de banda larga, na verdade, ainda é uma banda muito estreita”. e ainda “São velocidades infinitamente inferiores às oferecidas em países europeus ou nos Estados Unidos”, reforça Seabra.
Um ponto positivo é o interesse e a facilidade da população brasileira no acesso à Internet como pontos positivos para o processo de expansão do serviço. “A gente vê um morador de periferia de uma cidade pobre e cheia de carências. Na hora em que ele senta na frente de um computador e aprende a manusear, vira um usuário como poucos no mundo. Parece que está no sangue do brasileiro”.
Isso fica comprovado no relatório do Ibope NetRatings, onde é apresentado que brasileiros com mais de 15 anos, que acessam a internet de qualquer ambiente (casa, trabalho, escola, cybercafés, bibliotecas etc) somam 39 milhões, sendo que o número refere-se ao 3º trimestre do ano de 2007, representando um aumento de 21% em relação ao mesmo período de 2006. Ainda de acordo com o Ibope, o Brasil continua a registrar o maior tempo médio de navegação por usuário entre os 10 medidos pela NetRatings – foram 23 horas e 12 minutos em outubro.
Outra questão importante e positiva para a expansão, segundo ele, é o baixo preço cobrado pelos computadores diante da política de redução de impostos no país.
“Acho que tem sido desenvolvida uma política no sentido de popularizar e viabilizar o acesso da cidadania à tecnologia. Ainda estamos longe disso, mas o caminho está dado. Até porque as forças de mercado também vão nesse sentido. Toda a lógica capitalista de mercado vai nessa direção, do acesso à tecnologia uma das garantias da moderna cidadania”.