Ecossistema de Startups Brasileiro: sites, newsletters e pessoas que me ajudaram a saber mais sobre o assunto
Diferente do meu post sobre Inteligência Artificial, aqui não vou fazer uma seleção dos melhores documentários, séries e livros que me ajudaram a navegar neste tema com um pouco mais de propriedade. A ideia é dividir alguns sites que ajudarão, de uma maneira mão na massa, você a explorar esse ecossistema, assim como recomendar algumas newsletters e pessoas que você pode acompanhar para se atualizar.
Para entender o ecossistema Brasileiro
Como pode ser visto no infográfico da Norte Ventures, o empreendedorismo no Brasil está interconectado e para entender os setores mais promissores, volume de startups por setor, assim como percentual de mulheres na liderança, dentre outros temas relevantes, tenho duas dicas:
- O Dataminer da Distrito monitora mais de 14 mil startups no Brasil e produz análises para acompanhar o mercado, tendências, principais investimentos e identificar oportunidades de parcerias e aquisições de empresas de tecnologia.
- A Associação Brasileira de Startups (Abstartups) possui uma área de pesquisas, na qual compartilha estudos para auxiliar a fomentar o ecossistema empreendedor, além de ter o Startupbase, que apresenta insights e tendências sobre o setor empreendedor, usando uma base de dados com mais de 13 mil startups mapeadas.
- Uma vez que você já tenha um setor de interesse e queira se aprofundar nas respectivas categorizações, entender quem são as principais startups e ver as empresas que têm colaborado com as mesmas, daí recomendo a Liga Ventures, que tem o Liga Insights, com mais de 35 estudos de mercado, que proporcionam informações em profundidade para setores específicos das mais diversas áreas.
Para entender mais sobre as startups
Antes de sair falando com fundadores(as) de startups, vale a pena entender o momento da mesma e para isso utilizo duas fontes de informação:
- Começando por uma empresa nacional, a Sling Hub tem o objetivo de facilitar a interação e o desenvolvimento de todos os participantes do ecossistema brasileiro de startups e possui um database de mais de 19 mil startups da América Latina, oferecendo ao mercado o Radar de Startups, que foi criado para ajudar corporações a encontrar as startups mais adequadas dentre um conjunto de fatores (segmento, número de funcionários, rodadas de investimentos, etc).
- Internacionalmente, a Crunchbase é tão boa quanto e tem informações do mundo todo sobre financiamento, membros fundadores, fusões e aquisições, notícias e tendências do setor, entre outras. A maior diferença é que a Crunchbase tem mais de 600 mil colaboradores ativos na plataforma, além de mais de 4 mil membros em seu Programa de Ventures.
- Vale destacar que alguns dos concorrentes da SlingHub e Crunchbase são a Pitchbook, Tracxn, CB Insights e Mattermark.
Para se atualizar
O cenário de startups é dinâmico e superaquecido, tanto que até o fim de maio de 2021 o valor levantado por startups brasileiras já representa 90% do total investido em 2020.
Para saber o que está acontecendo no dia a dia, assino algumas newsletters que me ajudam a manter o dedo no pulso:
- O TechCrunch é um site focado em notícias sobre tecnologia e falta tanto de startups como das BigTechs, passando pelas principais notícias internacionais.
- Já a Elas&VC é uma newsletter traz notícias sobre startups, indústria de VC, empreendedorismo, diversidade e outros assuntos da indústria, com ênfase uma feminina.
- Depois de ter lido o AI Superpowers eu passei a acompanhar a China com mais cuidado e para entender melhor como a tecnologia chinesa está remodelando o mundo dos negócios eu sigo a HoloBase, que apresenta relatório e análises sobre a indústria de tecnologia da China.
- A Angels Den Funding é uma plataforma de investimento que usa Inteligência Artificial combinada a experiência do time para garantir que os investidores tenham acesso a oportunidades de investimentos em startups que atendam aos mais altos padrões.
- O Tomasz Tunguz, da Redpoint, tem uma newsletter que vai para uma base de +40 mil pessoas, e traz análises riquíssimas que valem a pena ficar de olho, também.
Falando em pessoas que fazem análises ricas e dividem conteúdos interessantes, me sinto privilegiado de trabalhar junto ao time do Google for Startups, mais especificamente o André Barrence, a Fernanda Caloi e o Rodrigo Carraresi, que diariamente me ensinam e me inspiram a mergulhar mais nesse universo tão incrível. Outras duas pessoas que converso para entender mais são o Anderson Ferminiano e o Gabriel Benarros, que tem pontos de vista tão bacana quanto sobre o que tem acontecido no ecossistema Brasileiro e internacional.
Para quem, ainda assim, quer dicas de outros conteúdos, eu nunca vi a série Silicon Valley, mas recomendo o TED da Dana Kanze (The real reason female entrepreneurs get less funding), assim como a leitura do #BreakIntoVC: How to Break Into Venture Capital.Se você tiver alguma dica, ou quiser falar mais sobre o assunto, me manda um inbox no LinkedIn.
Inteligência Artificial: documentários, séries e livros que me ajudaram a saber mais sobre o assunto
Em muitas das conversas que tenho vejo que profissionais de marketing e comunicação evitam falar sobre inteligência artificial, por desconhecimento ou até mesmo medo, achando que é um assunto extremamente técnico e entendido apenas por quem sabe de programação. Para desmistificar o assunto, fiz uma seleção dos melhores documentários, séries e livros que me ajudaram a navegar neste tema com um pouco mais de propriedade.
O livro que fez eu me apaixonar pelo tema há 3 anos atrás foi o AI Superpowers: China, Silicon Valley, and the New World Order (o autor, Kai-Fu Lee, tem um TED Talk bem bacana) e foi assistindo à série The Age of AI que eu percebi “o futuro já chegou, só não está uniformemente distribuído” (William Gibson, 1999). Vale destacar que a série tem o Robert Downey jr como apresentador e conta com o Will.I.am já no primeiro episódio, fazendo com que a série seja uma incrível opção de lazer, além de educacional.
Uma boa composição de filme e série é, também, ler o Deep Thinking: Where Machine Intelligence Ends and Human Creativity Begins, que fala sobre a partida de xadrez do Garry Kasparov com a AI Deep Blue em 1997, para depois assistir ao documentário AlphaGo, que mostra a disputa de Go do Lee Sedol versus a DeepMind em 2016.
Como uma pessoa que estuda ciências sociais, as questões éticas e morais envolvidas na tomada de decisão dos algoritmos foi um assunto que chamou minha atenção e quem viu o documentário Coded Bias, no Netflix, sabe do que estou falando. O documentário aborda o viés dos algoritmos do ponto de vista de raça e gênero, sendo que para este segundo eu sugiro fortemente a leitura do livro Invisible Women: Data Bias in a World Designed for Men.
Para quem tiver curiosidade de como a inteligência artificial está sendo usada em decisões que envolvem sentimentos e emoções, a minha recomendação de livro é: Heartificial Empathy: Putting Heart into Business and Artificial Intelligence.
As aplicações de inteligência artificial no mundo dos negócios são muitas e, para entender o cenário atual, o livro Prediction Machines: The Simple Economics of Artificial Intelligence traz um belo resumo. Para quem quiser entender como a inteligência artificial tem impactado especificamente o marketing, o artigo científico The future of marketing, escrito pelo Roland Rust dá um excelente panorama sobre as pesquisas futuras relacionadas ao tema.
Por último, para quem chegou até aqui, reforço que o tema de AI não é novo e se quiser saber mais sobre o início dessa tecnologia tão fascinante, recomendo o filme O Jogo da Imitação que retrata os desafios de Alan Turing, durante a Segunda Guerra Mundial. Boas dicas para quem está interessado na história de AI, mais que suas aplicações são o livro Mind Over Machine: The Power of Human Intuition and Expertise in the Era of the Computer, de 1987, que fala como tudo começou e o Genius Makers: The Mavericks Who Brought AI to Google, Facebook, and the World, que foi lançado agora em março 2021 mostra onde estamos, destacando muitas figuras que estão fazendo história no contexto atual.
Espero que gostem das dicas e me mandem suas recomendações, para que eu continue essa incrível jornada de aprender sobre este tema que tanto me encanta.
Por um ecossistema de startups com mais founders mulheres
Apesar de mulheres representarem 51% da sociedade brasileira, um relatório do Distrito mostra que o quadro societário startups está bem desbalanceado.
Desbalanceado é um eufemismo para não dizer que está errado!
Já escrevi aqui anteriormente sobre a importância de defender o empoderamento feminino, assim como a utilização do mercado de tecnologia como plataforma de inclusão, e fico ainda mais indignado ao ler um artigo publicado ontem, que destaca as principais mulheres founders do mundo e ressalta que as empresas com pelo menos uma fundadora geram 78 centavos de receita para cada dólar de venture funding, enquanto startups lideradas por homens geram cerca de 31 centavos.
Além disso, as startups com apenas fundadoras do sexo feminino recebem apenas 3% do total de dólares investidos globalmente.
Fico orgulhoso de trabalhar em uma empresa que tem uma aceleradora para startups com founders mulheres, mas acredito muito que precisamos ter muito mais iniciativas que ajudem a mudar este cenário, então se você é homem e não trabalha em uma empresa com a devida representatividade no quadro societário, não investe em uma startup que tem uma mulher founder, ou não mentora uma mulher que possa ajudar a virar o jogo, pelo menos ajuda a compartilhar este post. 🙂
A angústia de não ter alguém para indicar…
Sexta-feira (02/10/2020) 10:43am, estou no meu sync semanal com o Thiago Aimi, dividindo a angústia de receber frequentemente pedidos de indicação para posições de head de growth/marketing, sem saber quem indicar. Estava justamente falando que em menos de 24hs tinha recebido 2 pedidos desse, quando chega a seguinte mensagem:
Fala irmão!! Tudo bem??
Irmão, estou em busca de uma pessoa para cuidar da área de growth das unidades da XXX, caso conheça alguém que tenha o perfil (varejo + tech), te agradeceria muito uma recomendação!
Faixa salarial em torno de R$-
A minha angústia é justamente não saber quem indicar e por isso este post é quase que um pedido de ajuda, pois posso estar com uma visão míope ou uma rede de relacionamentos limitada.
Sem entrar nos méritos do pré-requisito de habilidades de liderança, pois deveria ser uma premissa para uma área de head, antes de pensar em alguém para indicar, o que me vem na cabeça é:
O quanto essa pessoa é comprometida com resultados?
- Uma pessoa para liderar uma área de growth não é alguém que tem “conhecimento de agile” no currículo, mas sim uma pessoa que está comprometida a testar coisas novas para chegar no resultado esperado. Ao ler como os maiores aplicativos conseguiram seus primeiros 1.000 usuários, vejo que não é sobre “trabalhar com influenciadores”, mas sim que resultado esse trabalho te trará no final?
O quanto essa pessoa pensa marketing além da comunicação?
- Na faculdade já aprendemos com Kotler que o Marketing tem 4Ps e ainda tem muita gente que acha marketing é só comunicação e que crescimento virá só de mídia paga. O livro Traction: A Startup Guide to Getting Customers explora 19 táticas de crescimento que ajudam a expandir o pensamento para fora da mídia, daí eu penso que a pessoa que eu vou indicar tem que discutir comunicação, preço e até mesmo dar pitaco em desenvolvimento de produto.
O quanto essa pessoa entende de tecnologia?
- A maioria dos pedidos de indicação que recebo são para empresas que o produto principal é um produto/serviço digital e, por isso, para a pessoa entender bem onde vai trabalhar, a pessoa tem que entender no detalhe o produto/serviço que ela vai vender. Num post passado eu falei sobre o relatório Hype Cycle for Emerging Technologies da Gartner que destaca 30 tipos de tecnologia que mudarão significativamente a sociedade e os negócios nos próximos cinco a dez anos. A pessoa não precisa saber dos 30 tipos de tecnologia, mas tem que saber a tecnologia que está no core da empresa, assim como tem que ter um plano de capacitação para se manter atualizada do que está por vir.
O que mais vocês esperam do perfil de alguém que vocês indicariam? Vocês conhecem alguém que atende aos meus 3 pré-requisitos e não está feliz no lugar atual? Se sim, me apresentem e me ajudem a diminuir essa angústia. 🙂
“O futuro pertence àqueles que se preparam para ele hoje”
Nesta semana tive a oportunidade de fazer uma apresentação na Marketing Week, organizada pelo Diretório Acadêmico de Marketing da USP – DAMA, e o conteúdo e minhas reflexões ficarão disponíveis no neste vídeo, no canal deles do YouTube.
Após a apresentação, fui revisitar o relatório Jobs of Tomorrow: Mapping Opportunity in the New Economy, do Fórum Econômico Mundial, que identifica os sete principais grupos profissionais com perspectivas promissoras para o mercado e, coletivamente, essas profissões devem render 6,1 milhões de novas oportunidades de emprego nos próximos três anos. A melhor notícia? Marketing está entre elas.
Apesar da ênfase do público em habilidades referentes às tecnologias disruptivas, como ciência de dados e habilidades de IA, o mesmo acontecerá com as habilidades de liderança e a capacidade de fornecer aprendizado e desenvolvimento.
Me encanta que o relatório foca o que tentei explorar na minha apresentação, de que a transição para o novo mercado de trabalho será focada tanto no ser humano quanto na tecnologia.
Particularmente, não acho que é uma escolha de um OU outro, mas sim E. Para quem quiser montar um plano de capacitação, para acompanhar toda a transformação digital que está formatando a quarta revolução industrial, eu recomendo a leitura do Hype Cycle for Emerging Technologies da Gartner que destaca 30 perfis de tecnologia que mudarão significativamente a sociedade e os negócios nos próximos cinco a dez anos.
Para fechar este post com uma abordagem leve e divertida, sugiro assistir ao TED Talk do Josh Kaufman que fala como aprender qualquer coisa em 20 horas. Se tem tecnologia que só se tornará realidade em 5 a 10 anos, essas 20 horas ficam parecendo pouco… E daí volto para a citação de Malcolm X, de 1962, quando ele diz: “O futuro pertence àqueles que se preparam para ele hoje.”.
A desigualdade da internet brasileira acelerada pela pandemia
Quando estivermos nos queixando que “a internet está lenta”, ou discutindo a aceleração da transformação digital por conta do COVID-19, é importante lembrar que no Brasil, cerca de 70 milhões de pessoas têm acesso precário à internet e mais de 42 milhões de brasileiros nunca acessaram a rede. Dos 3,6 milhões de alunos da rede pública de São Paulo, quase metade não está conseguindo assistir às aulas remotamente.
Se você se sensibiliza e demonstra interesse pelo tema, sugiro ouvir o podcast Café da Manhã, onde explicam como “a pandemia expõe a desigualdade da internet brasileira”.
Se além de “estudar o assunto” você quiser ajudar a reverter esta situação, semana passada duas medidas foram tomadas, facilitando o apoio com quantias “acessíveis”.
A primeira medida foi da iniciativa “Abra a gaveta, doe”, que além das doações de Hardware criou uma campanha no Benfeitoria visando arrecadar fundos para a compra de 500 computadores, que serão doados para estudantes da Rede Estadual de São Paulo (são cerca de 637 escolas e mais de 137 mil famílias que estão dentro do critério que eles se propõem a ajudar).
A outra iniciativa é a “Corona no paredão, doe um futuro” da Gerando Falcões, que criou uma bolsa digital, na qual com R$49,90 é possível garantir que um aluno terá acesso à internet para focar nos estudos através do acesso a um aplicativo com diversos temas: cultura, preparação para o ENEM, formação emocional, reforço escolar e empreendedorismo. O objetivo é impactar mais de 5.200 jovens a partir dos 6 anos de idade em diversos estados do brasil (São Paulo, Alagoas, Minas Gerais, RJ).
Se a quantia de R$49,90 for “pesada” para o seu orçamento nesse período de recessão, ajude compartilhando esse post e ajudando no conhecimento das iniciativas, pois o “compartilhamento é gratuito”. 🙂
A utilização do “cartão de teste” e o fim do “eu acho”
Em muitas das mentorias que dou ouço a pessoa dizendo “mas eu acho que” e vejo que a subjetividade do “eu acho” é o maior inimigo do atingimento de um objetivo.
Já falei sobre a importâncias dos OKRs para aumento de produtividade, porém muita gente se perde no momento da execução e acaba desenvolvendo iniciativas onde os resultados não estão atrelados aos objetivos prioritários, ou então não tomam o cuidado de transformar o “teste” em “aprendizado”.
A melhor maneira de tirar a subjetividade da discussão é transformar as ideias em hipóteses a serem validadas e para isso recomendo a leitura deste post de como preencher um “cartão de teste” seguindo o modelo da Strategyzer. O cuidado na validação das hipóteses, para daí sim transformar as ideias em conhecimento que possa ser escalado, é algo que acredito que deveria ser mandatório para qualquer gestor que precisa avaliar uma ideia trazida pelo time.
Quando seu tio está salvando o mundo! A importância de referências positivas para o desenvolvimento pessoal
Meu post de hoje não é para falar sobre inovação no mundo do marketing, tampouco referenciar livros. É um post para falar sobre inovação do mundo da química e reforçar a importância de você ter referências positivas, que te inspiram a ser um ser humano melhor.
Eu não pude me conter de orgulho ao ver meu tio Elson Longo, professor do Instituto de Química da UFSCAR, no Jornal Nacional mostrando como eles desenvolvem na Universidade Federal de São Carlos uma roupa à prova de coronavírus.
Para quem quiser saber mais sobre essa pessoa que eu tanto admiro, sugiro assistir este vídeo, que conta um pouco da história dele (tem duas partes). Mais do que um cientista genial, o bom humor dele é contagiante e me lembro com carinho de toda vez que eu encontrava com ele e ouvia “e aí meninão, sorriso no dentão?”.
Ele é a pessoa que me faz refletir na frase de Pablo Picasso: “Aprenda as regras como um profissional para que você possa quebrá-las como um artista”. Um exemplo disso é que nas horas vagas, além de ajudar a salvar o mundo, ele fez uma parceria com meu pai, juntando a arte e a ciência e transformando a cerveja em Nanoarte, exposição essa que passou pela Pinacoteca e Inhotim.
Por que acho que “jogador de eSports” deveria ser o próximo “jogador de futebol”
Semana passada saiu a Pesquisa Game Brasil 2020, detalhando o perfil do gamer brasileiro, assim como diversas particularidades sobre jogos digitais, eSports, nova geração de consoles e seus hábitos. Mais do que os dados da pesquisa, acho importante dividir algumas reflexões sobre o assunto.
Sou apaixonado pelo tema há anos e analiso de uma maneira mais profissional esse assunto desde que li em 2006 o Fans, Bloggers, and Gamers: Media Consumers in a Digital Age, do Henry Jenkins, onde o autor defende que os gamers estão entre os consumidores mais ativos, criativos, críticos e socialmente conectados da cultura popular e que representam a vanguarda de um novo relacionamento com a mídia de massa.
Olhar games como uma mídia de massa é crucial e não faltam cases, como o show do Travis Scott no Fortnite para 14 milhões de pessoas, para fazer esse ponto. Quem ainda não assistiu ao documentário League of Legends: A Origem, no Netflix, super recomendo para entender como um jogo pode movimentar milhões de pessoas.
O que acredito que falta é um olhar mais crítico de como os games podem se tornar uma alavanca de inclusão das minorias no mercado de trabalho. A pesquisa mostra que 61,9% dos casual gamers são mulheres e fico orgulhoso de dizer que o Google tem uma iniciativa chamada Change the Game, com o objetivo de incentivar a próxima geração de desenvolvedoras de games, visto que o número de mulheres estudantes do curso de engenharia ou ciências da computação é de 18%.
Outro ponto do estudo, que pode ser visto como alavanca de inclusão é o fato de o conhecimento e consumos dos eSports crescer 6,7%, sendo que ontem saiu um artigo do TechCrunch falando por que os eSports deveriam entrar nas Olimpíadas. Entender o eSport como uma profissão é fundamental e para quem ainda não entende a dinâmica desse mundo eu recomendo o episódio “Campeonato de Games”, da série “Explicando no Netflix”.
Uma prova concreta do que estou falando é o projeto AfroGames, idealizado pelo AfroReggae, que é o primeiro centro de treinamento em games e eSports dentro de uma favela (no RJ), com o objetivo de formar jogadores e profissionais da indústria dentro da comunidade, com apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro e de empresas privadas.
Porém, para tudo isso acontecer, muita gente vai precisar para de ver “games” só como uma brincadeira de menino, e até por isso acho que o estudo PGB20 vem em um bom momento para quem quer começar.
As organizações exponenciais e o desenvolvimento de plataformas
Empresas tendo que desligar funcionários que não eram essenciais? Dezenas de dashboards sendo criados, em poucas semanas, para dar visibilidade do que o time está fazendo e como estão os negócios? Colaboração entre as empresas e consumidores? Infelizmente, não foi só o COVID-19 que provocou isso e com certeza não precisava ser assim tão traumático.
Quando a ZX Ventures foi formada 2015 participamos de um programa da Singularity University onde foram abordados os princípios das organizações exponenciais, que são brilhantemente abordados no livro de 2014 escrito por Salim Ismail, Mike Malone e Yuri van Geest, que estão ilustrados pelo acrônimo das iniciais IDEAS e SCALE, e é exatamente o que vemos hoje.

Para entender ainda melhor o sucesso de empresas que desenvolveram plataformas que estão crescendo exponencialmente durante a crise, recomendo muito a leitura do livro Platform Revolution, onde os autores, além de contextualizar “disrupção” nas mais diferentes indústrias, abordam estratégias de lançamento, monetização, modelo de governança e os impactos legais de operar usando os princípios de open innovation.
O curso do MIT Digital Transformation: Platform Strategies for Success, lecionado pelo Geoffrey G. Parker (autor do livro citado anteriormente), é o melhor que já fiz sobre o tema, sendo um programa de 2 meses, com estudos de caso que ajudam a firmar os princípios apresentados no livro.
Algumas das respostas aos questionamentos de hoje estavam disponíveis desde 2014 (ou antes). Como diria Elwyn Brooks White: “A library is a good place to go when you feel bewildered or undecided, for there, in a book, you may have your question answered.”